1º Café Filosófico da ANDESUFSC usa arte e cultura para debater desmontes

2018-09-03T15:53:08+00:0003 de setembro de 2018|

O fim da tarde da última quinta-feira (30) foi um momento reservado para a primeira edição de uma atividade política e sociocultural muito especial organizada pela ANDESUFSC. O 1º Café Filosófico foi um espaço de discussão sobre a conjuntura local e nacional a partir de manifestações artísticas.

A principal mostra do dia foi a exibição do filme Cidadão Valmir, documentário sobre o docente Valmir Martins, do departamento de História da UFSC. O protagonista dedicou a maior parte de sua vida à luta pelos direitos dos trabalhadores.

Martins integrou gestões do ANDES-SN e foi membro da diretoria da ANDESUFSC. Na juventude, fez parte do grupo Ação Popular (AP), que combatia a opressão da ditadura militar.

Junto com os companheiros de resistência, participou ativamente do 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Ibiúna, no interior de São Paulo. O evento foi realizado em outubro de 1968 e entrou para a história por causa da ação truculenta dos militares, que resultou na prisão de mais de 800 estudantes e fichamento de mais de mil lideranças que se opunham ao regime.

O filme foi roteirizado e dirigido pela jornalista Clara Pires, neta de Valmir. O média-metragem emocionou os docentes e resgatou a dura luta por direitos, muitos dos quais hoje estão sendo atacados e retirados pelo Governo Federal.

Para a presidente da seção sindical, Adriana D’Agostini, o audiovisual e outras manifestações artístico-culturais sobre a classe trabalhadora oferecerem novas perspectivas para os debates da categoria. “A arte sempre foi uma ferramenta de resistência muito importante em momentos difíceis para a democracia do nosso país. É isso que estamos reproduzindo aqui”, explicou.

Docentes expuseram trabalhos artísticos

A atividade foi realizada no Centro de Desportos da UFSC. O espaço foi ocupado por painéis, que exibiram fotografias e bordados feitos por professores da universidade. As obras retratam as diversidades culturais e étnico-raciais do país e propuseram reflexões ao público.

Os docentes também puderam declamar poemas, ler produções literárias e fazer apresentações musicais. Toda essa atmosfera foi acompanhada por debates sobre as questões políticas que afligem a categoria e o país como um todo.

“Foi um momento em que todos puderam expor suas críticas, denúncias sobre problemas sociais e preocupações por meio da linguagem com a qual têm mais afinidade. A intenção da ANDESUFSC é promover atividades como essa com mais frequência, principalmente diante do período de desmontes e retrocessos que vivemos”, destacou Adriana.

Fonte: ANDESUFSC

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