As comunidades acadêmicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade de Pernambuco (UPE) foram alvo de ataques de ódio e ameaças nos últimos dias. Na UFPE foi divulgada e distribuída uma carta “contra os doutrinadores esquerdistas”, que, segundo o texto, serão banidos da universidade em 2019. Na UPE de Nazaré da Mata o mesmo ocorreu. O texto afirma ainda que o espaço Paulo Freire passará a se chamar espaço Coronel Ustra – em referência ao primeiro militar a ser reconhecido pela justiça como torturador.

A Polícia Federal (PF) de Recife foi acionada e apura as ameaças realizadas na UFPE. A carta cita nominalmente uma série de professores da área de humanas. Eles são chamados de “veados”, “gayzistas”, “invasores”, “prostitutas”, “comunistas”, entre outros termos. Anísio Brasileiro, reitor da UFPE, abriu sindicância para apurar o caso.

A Associação dos Docentes da UFPE (Adufepe – Seção Sindical do ANDES-SN), em conjunto com outras entidades e movimento sociais, realizou ato público na quarta (7) em repúdio às ameaças. Cerca de 200 pessoas participaram da mobilização. Os manifestantes abraçaram o prédio onde atuam as pessoas citadas numa carta anônima. “A universidade é um ambiente de múltiplas ideias e precisamos defender a população acadêmica contra expressões dessa forma”, disse o presidente da Adufepe-SSind, Edeson Siqueira, durante o ato.

Já na UPE, a reitoria informou que está tomando as providências judiciais cabíveis. A instituição tomou conhecimento do caso e retirou o material colocado nos quadros de aviso. A Associação dos Docentes da UPE (Adupe – Seção Sindical do ANDES-SN) divulgou nota de repúdio às ameaças.

“Essa tentativa de impor medo à liberdade de cátedra é uma estratégia dos que apoiam o fascismo, pois veem neste tipo de ação, uma possibilidade concreta da instalação do terror, essência máxima do totalitarismo. Os docentes da Universidade de Pernambuco não irão arrefecer tampouco se abaterão com ameaças covardes dos que se escondem atrás de escritos anônimos”, afirma o texto da Adupe-SSind.

Com informações de Adufepe-SSind, Adupe-SSind, e Estadão. Imagem de Adufepe-SSind.