O Future-se nasce da intenção do Governo Bolsonaro de interferir na autonomia das universidades e institutos federais, e também acabar com sua função social. Por representar um profundo impacto na educação brasileira, o projeto foi alvo de estudo e debate na quarta-feira (4), com o debate Future-se?, promovido pelo ANDESUFSC.

A atividade contou com a presença de representantes de diversas entidades e movimentos sociais, como CSP-Conlutas, Sinte-SC, Une, DCE, Enesso, Calis, MUP e Via Campesina, para realizar uma ampla discussão sobre as ameaças que o projeto representa.

A atividade contou também com uma exposição apresentada pela secretária-geral do ANDES-SN, Eblin Farage, professora da Escola de Serviço Social da Universidade Federal Fluminense (UFF).

No centro do debate estiveram os fundamentos do programa, que dizem respeito não só ao seu texto integral, mas também ao seu contexto. Dessa forma, foi debatido o eixo educação privada x educação pública e a determinação das agências internacionais para a educação na América Latina – que estariam nas bases que formam o projeto Future-se, antes mesmo de ser endereçado pelo MEC de Bolsonaro.

Nesse sentido, foram pontuados tópicos críticos do projeto: a mercantilização das políticas públicas brasileiras, que nesse caso traria à universidade uma gestão privada de recursos; a reestruturação produtiva da universidade – que impactaria na vida de servidores públicos bem como demais trabalhadores da educação superior; e a apropriação privada do patrimônio público, com as organizações sociais (OS) realizando a gestão das universidades, incluindo a contratação de docentes em situação precária, sem concursos.

“O Future-se coloca em xeque a função social das universidades federais e rompe o tripé ensino, pesquisa e extensão, que é uma das bases do ensino público superior brasileiro”, afirmou a presidente da ANDESUFSC, Adriana D’Agostini.

Para os movimentos sociais presentes, o projeto é mais um dos diversos ataques do governo Bolsonaro direcionado à educação pública e, por isso, é preciso construir um amplo movimento de resistência, que dê suporte às lutas das universidades federais pela imediata recomposição de seus orçamentos.

Também é fundamental que se construa esse enfrentamento ao Future-se em todo o país. Trata-se de um projeto que não prevê a solução da educação, e sim para a crise do capitalismo. Além de resistir, é necessário um projeto estratégico que detenha o seu avanço.

Fonte: ANDESUFSC