No dia 8 de março, as mulheres foram às ruas em Florianópolis para unir suas vozes em palavras de ordem contra a opressão, a misoginia e a violência estrutural que mata todos os dias.

Com o mote Vivas, livres e resistentes, milhares de manifestantes saíram do Terminal Integrado do Centro (Ticen) rumo às Escadarias do Rosário. Movimentos sociais e entidades sindicais – incluindo a ANDESUFSC – também participaram da marcha e da lembrança às 179 mulheres que foram vítimas ou sobreviventes de tentativas de feminicídios só no primeiro mês de 2019. O número foi contabilizado por um levantamento do jornal Folha de S. Paulo.

Para a presidente da seção sindical, Adriana D’agostini, o combate à violência de gênero é historicamente importante no Brasil. No entanto, no atual momento social e político atravessado pelo país, a denúncia e a conscientização assumem um papel estratégico para salvar vidas.

“Vivemos uma conjuntura em que discursos de pessoas públicas estimulam e justificam a violência o tempo todo. Nesse contexto, a dialética torna-se uma ferramenta de luta indispensável para proteger as mulheres. Ocupamos as ruas no 8 de março fazendo essa contraposição. Estamos respondendo às estatísticas e afirmando que somos resistência”, explicou Adriana.

Outras pautas

Além da violência de gênero, o ato também lembrou outras questões estruturais que afetam as vidas das mulheres diariamente. Os manifestantes reivindicaram pautas de saúde, educação e políticas públicas de distribuição de renda.

No âmbito educacional, a mobilização reafirmou a luta por cotas e ações de permanência na universidade pública. As duas medidas são essenciais para que mulheres consigam dar continuidade a seus estudos, principalmente aquelas que pertencem às camadas sociais menos favorecidas, que integram minorias ou que precisam conciliar sua vida acadêmica com a maternidade.

Na esteira de outras manifestações realizadas em todo o país, o ato também exigiu justiça para a vereadora carioca Marielle Franco, brutalmente assassinada há quase um ano, em 14 de março de 2018.

Com cartazes, palavras de ordem e manifestações artístico-culturais, o grupo exigiu que o poder público dê respostas sobre o crime, que também tirou a vida do motorista da parlamentar, Anderson Gomes.

As mulheres também fizeram questão de lembrar que a luta por direitos humanos defendida por Franco não foi apagada pela violência. As participantes do ato deixaram claro que os valores de Marielle foram sementes plantadas e incorporadas à defesa constante da democracia e das liberdades. Afinal, como a própria vereadora defendia, nenhum ataque poderá calar a voz de uma mulher eleita.

Fonte: ANDESUFSC