No dia 14 de junho, mais de 45 milhões de trabalhadores cruzaram os braços em todo o país e lembraram que sem a classe trabalhadora, o país não anda. A Greve Geral contra a Reforma da Previdência mobilizou várias categorias contra o desmonte da seguridade social em pelo menos 380 cidades.

Florianópolis foi um dos locais em que pessoas deixaram de comparecer aos seus locais de trabalho para dizer não à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019 e aos demais ataques aos direitos trabalhistas. A pauta dos cortes na educação pública também foi incorporada à mobilização.

Na capital do estado, um ato convocado pelas centrais sindicais também levou 30 mil pessoas às ruas, entre trabalhadores, entidades sindicais, movimentos sociais e estudantes. Para a presidente da Andesufsc, Adriana D’agostini, a grande adesão à Greve mostrou que o trabalhador brasileiro está ciente do que a Reforma realmente significa, e quais interesses estão por trás da proposta.

“O dia 14 de junho foi uma prova da união dos trabalhadores para defender a nossa Previdência Social e seu caráter solidário. Foi com essa mesma força e mobilização que barramos a Reforma de Michel Temer, que era mais branda do que o projeto de desmonte que está sendo apresentado agora”, avaliou Adriana.

Manifestação

O ato unificado começou no meio da tarde, no Largo da Catedral. Durante a concentração, faixas e cartazes denunciavam a dívida bilionária de bancos e grandes empresários com a Previdência, cuja cobrança seria mais efetiva para garantir o fortalecimento do sistema previdenciário do que retirar direitos da população, conforme atestado pela CPI que investigou a questão em 2017.

Logo no início, também foi possível identificar outras bandeiras. Muitas pessoas carregavam materiais que defendiam a educação pública, gratuita e de qualidade, com liberdade para debater, questionar e promover o pensamento crítico. A revogação da Reforma Trabalhista, a criação de políticas públicas e o fim das opressões contra minorias sociais também eram presença constante em cartazes, adesivos, camisetas e discursos.

Os manifestantes ocuparam a Avenida Beira-Mar Norte e seguiram para a Avenida Professor Othon Gama d’Eça até a Praça XV.

Em defesa da Previdência Social

A PEC 6/2019 é repleta de inconsistências que, se aprovadas, irão expor o trabalhador a uma situação de insegurança que promete promover e aprofundar um ciclo geracional de pobreza e desigualdade social no país.

O Governo Federal quer impor um sistema de capitalização baseado no mesmo modelo que destruiu a aposentadoria no Chile e se mostrou disfuncional em dezenas de países, obrigando o trabalhador a contribuir por muito mais tempo para receber um salário menor.

Além disso, a desconstitucionalização intrínseca ao projeto permitirá que leis complementares desonerem o Estado e os empregadores de contribuírem no futuro, acentuando a precariedade a que futuros aposentados estarão expostos.

Esta semana será crucial para verificarmos a reação do governo e o desgaste político causado pela Greve Geral, que demonstrou a força e a unidade da classe trabalhadora na luta por seus direitos.

Fonte: Andesufsc