Um mar de gente tomou as ruas do Brasil na terça-feira (13), dia da Greve Geral da Educação. Docentes, técnicos administrativos, estudantes e setores sociais comprometidos com a educação se manifestaram contra os cortes orçamentários nas universidades públicas e o projeto Future-se, que representa o avanço da privatização da educação.

Em Florianópolis, milhares de pessoas se reuniram na Praça da Catedral, no centro da capital, para o ato unificado contra o desmonte das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes).

A Greve Geral é mais um capítulo de um intenso processo de luta que que se iniciou em maio.  Desde que impôs um corte de 30% nas despesas não obrigatórias das universidades e institutos federais, o Governo Federal relegou as comunidades acadêmicas a uma rotina de incerteza e angústia.

Em maio e junho, os brasileiros protagonizaram grandes momentos de resistência ao sufocamento das universidades e institutos federais. O desinvestimento injustificável, somado a uma forte campanha ideológica de estigmatização das Ifes, representam um ataque inédito à educação pública.

Como resultado desse plano deliberado de ataque ao ensino superior público, a situação financeira de algumas instituições está cada vez mais crítica.

De acordo com o reitor da UFSC, Ubaldo Cesar Balthazar, o orçamento disponível para a universidade no segundo semestre só garante o seu funcionamento até setembro. Depois disso, não haverá dinheiro para custear serviços básicos como água e luz. Muitas outras Ifes estão em vias de paralisarem as atividades por falta de orçamento, lista que deve crescer ainda mais.

Não há dúvidas de que se trata de um sufocamento deliberado das instituições para forçá-las a aderirem o Future-se, projeto do Ministério da Educação (MEC) que visa a entregar a administração das Ifes a organizações sociais (OS).

Anunciado como única solução para os problemas financeiros da universidade, o Future-se representa uma série de retrocessos para as universidades federais.

As OS são pessoas jurídicas de direito privado, ou seja, empresas, que ficarão responsáveis por gerenciar o ensino, a pesquisa e os servidores das universidades, ferindo frontalmente a autonomia universitária, garantida pela Constituição Federal.

Se for aprovado, o Future-se vai impor, à educação superior pública, uma lógica mercantil que menospreza as necessidades da sociedade e favorece unicamente os interesses de mercado. Pesquisas consideradas “pouco rentáveis” serão substituídas por projetos com viés puramente mercadológico.

Além diluir o tripé ensino-pesquisa-extensão – o projeto sequer menciona a extensão em seu texto –, ele vai precarizar as condições de trabalho dos docentes. Isso porque as OS poderão contratar professores sem a realização de concurso público, colocando em risco a estabilidade e uma série de direitos hoje garantidos aos professores universitários.

O momento pede urgência! É hora de resistir e lutar pelas universidades federais!

Fonte: Andesufsc