“As universidades devem ficar reservadas para uma elite intelectual, que não é a mesma elite econômica [do país]”. A declaração foi dada pelo ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, na segunda-feira (28), ao jornal Valor Econômico. Ele ressaltou que busca um modelo parecido ao de países como a Alemanha.

“A ideia de universidade para todos não existe”, disse Rodríguez ao Valor Econômico. Foto: Luis Fortes / MEC

Rodríguez disse que estuda alterar pontos da reforma do Ensino Médio, aprovada durante o governo Temer (MDB). No entanto, deve manter o ensino técnico como um dos principais pilares da educação, como forma de inserir os jovens mais rapidamente no mercado de trabalho. O ensino técnico foi uma das bandeiras do presidente Jair Bolsonaro (PSL), durante a campanha para a presidência.

“A ideia de universidade para todos não existe”, declarou ao periódico.  De acordo com o responsável pelo MEC, o retorno financeiro dos cursos técnicos é maior e mais imediato do que o da graduação. Segundo ele, isso pode diminuir a procura por Ensino Superior no Brasil.

Antonio Gonçalves, presidente do ANDES-SN, critica a postura de Vélez Rodríguez. “A declaração do ministro explicita uma concepção atrasada de educação, contra a qual lutamos”, afirma. O ANDES-SN historicamente defende que a universidade seja pública, gratuita, de qualidade socialmente referenciada. O acesso deve ser universal e acompanhado de uma política eficiente de permanência estudantil.

Cobrança de mensalidades nas IES
Ainda em entrevista, Rodríguez afirmou não está prevista a cobrança de mensalidades em universidades públicas, mas falou da urgência de reequilibrar os orçamentos. Ele também defendeu a continuidade do enxugamento do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) como alternativa econômica para aliviar os cofres públicos.

Ideologia de Gênero
O ministro foi questionando pelo Valor Econômico sobre as declarações dadas referentes à “ideologia de gênero” nas escolas. Segundo ele, ensinam “menino a beijar menino e menina a beijar menina”. Rodríguez limitou-se a dizer que essa não é uma pauta que o interesse: “Mas se houver demanda da sociedade, vamos discutir”.

Ricardo Vélez Rodríguez 
Nascido em Bogotá, na Colômbia, Ricardo Vélez Rodríguez tem 75 anos e se naturalizou brasileiro em 1997. Graduou-se em filosofia e teologia na Colômbia. É mestre em filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e doutor no Rio na mesma área pela Universidade Gama Filho. É professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme). Ele foi indicado ao cargo de ministro da Educação pelo filósofo Olavo de Carvalho.  É defensor de agendas como expansão de escolas militares no país e o combate a uma suposta proeminência de “ideias esquerdistas” no ensino.

* Com informações do Valor Econômico