A preocupação com o meio ambiente ganhou força global a partir dos anos 1960, quando começou a ficar clara a falácia do “mito da abundância” propagado até então pelos arautos da sociedade industrial e produtivista, que viam o meio ambiente como mercadoria e fonte inesgotável de recursos. Desde então, setores da sociedade apontam cada vez mais para o risco de um colapso ambiental, caso a máquina industrial e produtivista do modo de produção capitalista não fosse freada. Todavia, até hoje, esse debate muitas vezes desconsidera o elemento fundamental, de que não há desenvolvimento sustentável sem que superemos a lógica que prioriza o ter e o lucro, elegendo o consumismo como modo de vida.

Os movimentos ambientalistas têm obtido conquistas pontuais contra o aquecimento global e a destruição do meio ambiente. Desde os anos 1970, a ONU tem organizado conferências para debater estes temas, como a Conferência de Estocolmo, a Eco-92 e a Rio+10, COP-3 (Conferencias das Partes) em Kyoto, 1997, Rio + 20, que explicitam a crescente preocupação com o meio ambiente, porém apresentam uma agenda limitada que não enfrenta radicalmente a destruição causada pelas grandes corporações, a exemplo das mineradoras, siderurgias, agronegócio e outras.

A situação atual do planeta explicita que as ações dos governos são insuficientes e que apenas com mobilizações, ações e lutas dos movimentos ambientalistas, sociais e dos trabalhadores podemos avançar em uma agenda que paute a defesa dos recursos naturais e de seu caráter coletivo.

É dentro desse espírito que estão sendo chamadas, a partir da Greve Global pelo Clima que mobilizou milhares de pessoas na sexta-feira (20) até o dia 27 de setembro, diversas manifestações clamando por justiça climática. Inspirado pelo gesto de Greta Thunberg, a jovem que pautou a greve, as mobilizações estão sendo convocadas por diversas organizações de defesa do meio ambiente.

No Brasil, estamos assistindo a um retrocesso acelerado. O governo Bolsonaro faz pouco caso das instituições de controle do desmatamento; incentiva ações ilegais que aumentaram significativamente as queimadas na Amazônia; implanta como política o ataque aos indígenas, quilombolas, ribeirinhos; e privilegia madeireiros, garimpeiros, carvoeiros e latifundiários. O governo atual é sem dúvida um dos maiores inimigos do meio ambiente. Mas é amigo da indústrias químicas e farmacêuticas, posto que a liberação de agrotóxicos, inclusive aqueles proibidos na maioria dos países, caminha a passos cada vez mais rápidos e largos.

Para Cláudio Mendonça, 2º tesoureiro do ANDES-SN, “é preciso unir a luta em defesa do meio ambiente às bandeiras em defesa da reforma agrária, da reforma urbana, da política alimentar livre dos agrotóxicos, de saneamento básico público, de um SUS forte e com orçamento público e estatal, de defesa das Ifes, de estatização das empresas privatizadas ligadas ao fornecimento de água e energia, já que são bandeiras que visam proteger a sociedade e combater os privilégios egoístas das grandes transnacionais”.

Fonte: ANDES-SN