Na noite de segunda-feira (2), com 2 mil pessoas dentro do auditório Garapuvu da UFSC e mais 3 mil fora – em uma grande mobilização de estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos da UFSC  –,  a Assembleia Unificada da universidade posicionou-se contrária ao programa Future-se em sua íntegra.

Em um momento de organização política muito importante para a defesa da autonomia da universidade, foram aprovadas 11 deliberações contra o programa do Governo Federal, que pretende entregar a gestão das instituições de federais ensino superior (IFES) a organizações sociais (OS):

  1. A comunidade universitária da UFSC se posiciona contrária ao programa Future-se em sua íntegra;
  1. A UFSC se solidariza com a ocupação da UFFS em defesa da autonomia universitária. O reitor escreverá uma carta de solidariedade à Universidade Federal da Fronteira Sul;
  1. Adesão ao chamado nacional da UNE de construção das mobilizações para o dia 7 de setembro;
  1. Construção de um comitê de mobilização externa;
  1. Aprovação da carta que pedia a readmissão dos trabalhadores terceirizados;
  1. Suspensão do vestibular até que o governo federal reverta os cortes na educação e garanta o funcionamento da UFSC;
  1. Aprovado estado de Greve na UFSC;
  1. Construção da greve em cada categoria (estudantes, professores e técnicos) até o dia 10 de setembro;
  1. A UFSC apoia a construção da greve nacional da educação;
  1. Não haverá ocupação agora;
  1. O CUn deve referendar as deliberações da Assembleia.

Além do sentimento de um profundo comprometimento com a resistência à precarização do ensino público superior, o momento é de construir um enfrentamento de forma organizada.

Para a presidente do ANDESUFSC, Adriana D’Agostini, a aprovação da moção que rejeita o texto do projeto na íntegra indica que a universidade está articulada com as comunidades universitárias de todas as regiões do país para fazer frente a este projeto que, com ares de progresso, prevê o desmonte das universidades e institutos federais.

“O Future-se indica um retrocesso aos avanços científicos e culturais proporcionados pelas universidades públicas. Insere um modelo mercadológico educacional às IFES que, por fim, compromete e coloca em risco unidades acadêmicas e administrativas, funcionários e estudantes que já vivenciam os cortes realizados pelo governo”, afirmou Adriana.

É momento, mais do que nunca, de unir conhecimentos e uma agenda assertiva para enfrentar mais esse desafio ao futuro da educação pública superior brasileira.

CUN também rejeita o Future-se

Na tarde de terça-feira (3), o Conselho Universitário (CUN) da UFSC aprovou uma moção que rejeita integralmente o texto do projeto Future-se, durante sessão aberta realizada no Auditório Garapuvu.

Membros da comunidade universitárias lotaram o espaço, exigindo que o Conselho acompanhasse a posição da comunidade, aprovada na noite anterior durante a Assembleia Unificada da UFSC.

Ameaças

O programa Future-se, com a proposta da entrega da gestão das universidades às organizações sociais (OS) – entidades de caráter privado – é o novo projeto do Governo Federal para a subalternização da educação pública aos interesses comerciais e do mercado.

Além de falar em promover “marcas e produtos” e “aprimorar” a gestão patrimonial dos bens das instituições de ensino com fundos de iniciativa privada, pretende mudar 17 leis federais, incluindo as leis mais recentes como o Novo Marco de Ciência e Tecnologia e a Lei da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

O projeto “transformador” do MEC de Bolsonaro prevê que essas empresas estejam presentes diretamente na gestão das IFES, gerindo recursos, o que traz uma perspectiva ainda mais ameaçadora ao papel social das universidades federais do país – que já sofrem com cortes constantes no repasse de verbas que estão impactando diretamente a vida de docentes, servidores técnico-administrativos e estudantes do país inteiro.

O programa é também uma ameaça à autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial e ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão das universidades públicas brasileiras, ambos garantidos pelo artigo 207 da Constituição de 1988.

Fonte: ANDESUFSC