Os desafios da luta docente pós-eleições

2018-11-21T17:16:21+00:0021 de novembro de 2018|

O período eleitoral deste ano foi marcado por uma forte polarização entre projetos e ideias de sociedade totalmente opostos. A ANDESUFSC, assim como outras seções sindicais do ANDES-SN em todo o Brasil, se posicionou contra a chapa de Jair Bolsonaro, em um alinhamento com o movimento Ele Não. A decisão foi tomada a partir da percepção de que a eleição de Bolsonaro  representaria um grande retrocesso civilizatório, com graves ataques ao Estado democrático de direito, à pluralidade de ideias e à autonomia das universidades públicas – fatos representados na forma de diversos ataques institucionais ainda durante as eleições.

Ainda que de forma muito nebulosa, a agenda do presidente eleito não foge das propostas neoliberais defendidas por outros candidatos que declaradamente se alinham a esse campo econômico, e nem mesmo dos retrocessos impostos por Michel Temer nos últimos dois anos – como a Reforma Trabalhista, a Lei das Terceirizações e a Emenda Constitucional (EC) 95/16, que instituiu o teto de gastos.

As proposições neoliberais da equipe de Bolsonaro foram disfarçadas com um discurso moralista raso, representativo dos preconceitos e intolerâncias de diversos setores da sociedade. A estratégia
foi amplificada com a divulgação massiva de notícias falsas e a incitação ao ódio e à violência, que apenas acirraram ainda mais a polarização do país e impediram qualquer debate efetivo.

Diante de todo esse contexto, a luta docente terá que intensificar a mobilização contra a implantação de medidas neoliberais no campo da educação. Há, também, um claro movimento de crescimento do cerceamento ao senso crítico e à autonomia dos professores dentro da sala de aula.

A imposição da mordaça aos educadores é uma forma de tentar calar a luta. Impedir a reflexão e a liberdade de ideias dentro de ambientes acadêmicos é uma forma covarde de destruir a pluralidade de pensamento e criminalizar movimentos sociais.

Por isso, mais do que nunca, a expectativa é que a luta a partir de agora seja também pelo direito de lutar. Será preciso reforçar ainda mais a união entre os docentes e, sobretudo, de toda a classe trabalhadora para se opor aos retrocessos que virão pela frente. A mobilização popular será a única saída para frear a retirada de direitos.

Fonte: ANDESUFSC

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