Assunto incômodo à sociedade, o suicídio e os fatores que levam uma pessoa a tirar a própria vida vêm ganhando atenção. Embora ainda seja tabu, há consenso de que o tema precisa ser discutido para ser prevenido.

Uma das estratégias de prevenção ao suicídio é a campanha Setembro Amarelo. Lançada nacionalmente, em 2015, a iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) tem como objetivo pautar o tema intensamente durante este mês, já que no dia 10 de setembro é celebrado o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. A Campanha visa à divulgação dos fatores de risco e precipitantes, estratégias de prevenção e intervenção.

A cada 40 segundos, uma pessoa se suicida no planeta. Problema é a segunda maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos de idade. Os números foram divulgados em setembro de 2018, pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

De acordo com o organismo internacional, todos os países, sejam eles ricos ou pobres, registram casos de suicídio. Mas quase 80% desses óbitos são identificados em nações de renda baixa e média, segundo dados de 2016. A maioria das ocorrências acontece em zonas rurais e agrícolas. Ainda de segundo a OMS, o Brasil é apontado como o 8º país em incidência de suicídio no mundo, com mais de 11 mil registros anuais.

A temática também ganhou visibilidade no ambiente universitário, com a ampliação de casos de suicídio de estudantes, técnicos e docentes. No entanto, ainda não há estudos detalhados, que mensurem nacionalmente o problema e aprofundem o debate na comunidade acadêmica.

Kátia Vallina, 1ª vice-presidente da Regional Norte I do ANDES-SN e da coordenação do Grupo de Trabalho de Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria (GTSSA), ressalta que o suicídio é um problema de saúde pública e precisa ser abordado como tal. “Os caminhos que levam ao suicídio são variados, mas uma palavra define o quadro que antecede a decisão de tirar a própria vida, a crise, seja ela de qualquer natureza”, ressalta.

A diretora do Sindicato Nacional aponta ainda que uma pesquisa divulgada pelo ANDES-SN e pela Adufpa-Seção Sindical, de 2014, por exemplo, evidenciou que condições de trabalho adversas, oriundas da imposição do produtivismo acadêmico, podem levar docentes ao adoecimento mental.

“Há inúmeros casos, nos últimos anos, de suicídio entre docentes, discentes e técnicos, e por essa razão, o ANDES-SN aprovou inserir-se na Campanha do setembro amarelo, por entender, que é imprescindível reforçar ações preventivas ao suicídio no âmbito acadêmico”, explica.

No 38º Congresso do ANDES-SN, realizado no início do ano em Belém (PA), os participantes aprovaram “inserir na agenda dos Setores das Instituições Federais (Ifes), Estaduais e Municipais (Iees/Imes) do ANDES-SN uma campanha de sensibilização e de prevenção ao suicídio nas Instituições de Ensino Superior (IES) no mês de setembro”. A deliberação foi reforçada no 64º Conad, que aconteceu em julho em Brasília (DF).

De acordo com o texto de apoio apresentado para discussão no 38º Congresso, “a atual conjuntura sinaliza para o aprofundamento das perdas de direitos sociais, da perseguição ideológica e do denuncismo contidos em projetos como o “Escola sem Partido”, que estimula o assédio moral e a criminalização, e tendem a agravar esse quadro do adoecimento docente na medida em que desrespeita a liberdade de expressão e de cátedra dos(as) professores(as)”.

Nesse sentido, a diretoria do ANDES-SN reforça a necessidade das Seções Sindicais e as Secretarias Regionais promoverem debates e mobilizações nas universidades, institutos federais e Cefets. Ações preventivas podem contribuir para evitar o suicídio e também ajudar a identificar e tratar sintomas de adoecimento mental.

Confira algumas:

• Palestras e Workshops para promover a cultura de valorização da saúde mental;
• Atendimento psicológico e terapêutico individual;
• Criação de canais de comunicação entre a comunidade acadêmica;
• Construção de banco de dados com número dos casos de suicídio e tentativas entre estudantes e professores;
• Orientação para que os professores/servidores sejam capazes de identificar estudantes ou trabalhadores que estão passando por sofrimento mental para saber como lidar com a situação e para onde encaminha-los.

Fonte: ANDES-SN